Essa é daquelas história Que quanto mais é contada Fica mais exagerada Por ser fruto da memória E na sua trajetória Tem mentira e tem verdade Mas vou buscar lealdade Num verão de qualquer ano No sertão pernambucano Numa pequena cidade
As mania pertencia A um sujeitinho comum De adjetivo nenhum Que lhe empregasse valencia Homem assim sem paciência Mas de boas intenção Só causava incompreensão Quando se manifestava Que de nada lhe agradava Sofrer de perseguição
Mas sofrer ele sofria Por ser coisa da cabeça E por mais que se esclareça A pessoa é arredia Seja noite ou seja dia Fica o cabra encafifado É assim com dito citado Que por causa dum mosquito Viu-se pra sempre aflito Cum destino desgraçado
Numa noite de quentura De fazê suor de bica O pernudo inceto pica numa cega noite escura Entre o umbigo e a cintura Do pobre aqui comentado Que de tão atormentado Carcô uma cotovelada Nas costela da sua amada Que dormia do seu lado
Donãna sem entender nada Mulé sempre muito amavél Que até então era saudavél Ficou meio destrambelhada Pois deveras machucada Nunca mais que ficou reta Nem andou de bicicleta Por falta de ar nos pulmão E pro dito cidadão Vingança virou sua meta
Se descuidou do emprego Abandonou seu rebanho Sem comer sem tomá banho Era só desassossego Por nada mais tinha apego Ficara doido varrido Com seu juizo perdido Nem que o tempo fosse longo Esperava o pernelongo Que havera lhe perseguido
Parecendo alma penada Vagueando pela casa Mode ouvi o zumbi das asa Da criaturinha danada E na sala iluminada Com cara de fome e sede Se esfregava nas parede E assustada com o sujeito Donãna cai de mal jeito De riba de sua rede
E ela que já respirava Com certa dificuldade Juntô as males da idade Que há tempo lhe assaltava Um mal que jamais curava A fratura e as sequela De seis pino na canela Pra sempre que ficô muda E a velhota rechochuda Virô carne de panela
A coisa azedô de vez Feito água de azeitona A loucura veio a tona Dando adeus a lucidez Não foi nem duas nem tres As noite passada em claro Pelo sujeito que raro Fazia uso de comida Naquela altura sua vida Já não lhe custava caro
Noutra noite de rancor Deixou aberto a janela Catou na mão a chinela Esperando o malfeitor Que sem saber do terror Pousou de forma singela Sobre a carinha amarela Da dorminhoca Donãna Que teve a marca Havaiana Colada na cara dela
A velha foi internada Ficou dez dia de coma Não mais escreve nem soma Causo que ficou avoada com o peso chinelada Pra riba do tal maldito porém o mais esquisito É que nem essa tragédia Fez que se afrouxasse as rédia Da raiva do homem ao mosquito
Entre tapas e picadas O tempo foi se passando O bicho e o ser humano Chegaram ao fim da jornada E o homem vence a parada Jogô no bicho pequeno Grande dose de veneno Sem perceber que o rival jazia na entrada nasal Da sua velha em sono pleno
Pois depois desse acidente Já não responde nem chama A velha ficou na cama Dura de trinca os dente Já nem parecia doente Causo de que não podia Se não chorava nem ria É que é assim que é difunta Dequelas que bem se assunta Ser a mais feia que havia
E o caçador de inceto Foi pelo povo acusado Mode te-la assassinado E foi o pobre direto Pelo feito incorreto Pelo senhor delegado Atras das grades trancado Inté que vossa exelença Um juiz de competença Fizesse o caso julgado
No julgamento em questão Que veio a grande surpresa Sem precisar de defesa Deu-se ao réu libertação Veja que situação Pois nada haver tem ca sorte Do exame veio o suporte Findando então o perrengue Aos maleficios da dengue Atribui-se a causa morte