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Quem é que é (Cordel matuto)

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Quem é que é

 

Se quiser saber meu nome

Ou donde esse artista veio

Eu lhe digo sem demora

Sem vergonha ou aperreio

Venho donde não se mora

E pobre tem nome feio

 

Sô bisneto do planeta

Tumém neto do país

E se nasci nessas terras

Foi o destino quem quis

Ele fez a sua parte

E o resto foi eu quem fiz

 

Sou mais um na multidão

Tumém irmão de Jesuis

Pagando pelos pecado

Carregando minha cruiz

Procurando no escuro

No fim do tunel uma luz

 

A miséria é minha prima

Vera vira verso em vão

Vida rima com a morte

Depende da ocasião

Me fiz pra sempre casado

Com as corda do violão

 

Não tenho medo da fome

A moléstia é minha amiga

Pois nascemos eu e a fome

De dentro de uma barriga

Carregando ela comigo

Levanto e saio pra briga

 

Se a verdade é mentira

Toda mentira é real

Meu sogro e minha sogra

São as planta e os animal

Minhas tia e meus cunhado

São pedra de mineral

 

 

Sendo a virgê minha mãe

José fora meu padrasto

A poesia é o caminho

Donde vou deixando rasto

Dela tiro o alimento

Feito um burro no pasto

 

Se parente são os dente

Mesmo assim dói por demais

Sou mais é filho de Deus

Rimando as cores da paz

Pois não tenho parentesco

Cas coisa do satanaz

 

Vou fazendo a despedida

Pra isso tenho suporte

Desejando vida boa

Inda melhor seja a morte

Morre com dignidade

É só pra cabra de sorte

 
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