Em terra de cego quem tem vista fecha os olhos (Cordel Matuto)
Há mais de quinhentos anos Lusitanas caravelas Guiadas por brisa leve Que sopravam suas velas Rumaram ao monte paschoal E avistando o litoral Ouviu-se de uma delas:
_ Terra à vista capitão! E Cabral na disparada Olhou lá pra terra firme Vendo as nativa pelada Coçou forte seus pentelhos Juntou colar, pente e espelhos Pronto a zona estava armada
Comprando o velho cacique Cumas bugiganga falsa Os marujo da península Puderam arriar as calça As india aprova o tamanho Levando os branco pro banho Ditando os passo da valsa
Olhando pra tudo aquilo Que a todo gosto seduz Pedro Álvares batiza A terra de Vera Cruz E o clero c’oa catequese Diz pro índio: _ Filho reze Pessa perdão pra Jesus!
Pero Vaz que era carteiro Tratou de mandar recado A mãe pátria Portugal Aos cuidados do reinado Relatando as vantagem De se partir em viagem Pro novo mundo encontrado:
_ “Essa terra tem palmeiras Donde canta o sabiá” Povo pacato e ingênuo Facinho de governá Por mim tu juntava as tropa Deixava o dedo da europa Vinha correndo pra cá!
Quando a casa é de ninguém O rato vira freguês Foi as noticia espaiada Chegando inté os holandês Mais a turma de Nassau Numa surra sem igual Daqui redaram de vez
Passado já muito tempo Causo de Napolião Pica a mula pr’essas banda A corte de Dom João Transformando essa colonia Nos jardins da babilônia Do mais nobre cidadão
Mas logo o homem entendeu Que era uma terra de cego Quem devia alguma coisa Dizia: _ Devo e não nego Mas pago quando puder Ou se quando alguém fizer Tachinha chupando prego!
E antes de voltar pra casa O rei disse a seu herdeiro Pra parar de putaria E cuidar do galinheiro Causo lhe faltasse sorte: - Grite "Independência ou morte"! Iludindo os brasileiro
Assim nosso imperador Sem declaração de guerra Ganhou um país de escravo E de indígena sem terra Disse:_ Donde já se viu! Ao saber quanto o Brasil Já devia pra inglaterra
E Pedro aprendeu primeiro Seu filho aprendeu segundo Quando falta regalia Pede emprestado pro fundo Quem paga a conta é o povo Mais o rei fica de novo Com boa imagem no mundo
Pos guerra do Paraguai Tumém sem escravidão O povo continuou cego Por não ter educação Na roça só se sabia Que os militares queria Montá uma federação
Foi quando a elite mandô A familia imperial Com certa diplomacia De volta pra portugal Com eles nossas riqueza Que sustentou a nobreza Da terra do bacalhau
Na nova velha república O doce mudou de mão E memo aos tranco e barranco Foi-se tocando a nação Mas nem tônho Conselheiro Conseguiu que os brasileiro Visse consideração
Nomes como Deodoro E até mesmo Floriano Figurarô na república E durante muitos ano Também teve Rui Barbosa E as fazenda poderosa No arrredor Taubateano
Nada dura para sempre E a velha bateu as bota Mas quando se enterra uma Outra bem novinha brota Foi-se o coitado do povo Vê nasce o estado novo E o país mudá de rota
Mas o que é mais engraçado É que mudava o sistema Mas ninguém via mudança Na solução dos problema Mas será o benedito? Pois se trocava o mosquito Mas a merda era a mema
E o chamado pai dos pobre De tamanho mediano Amigo dos alemão E tumém de americano Matou-se aparentemente Causo da batata quente Que foi dele quinze ano
E o povo assistia as margê A toda aquela disputa Chorava os filho sem pai Sorria os filho da…luta O homem entrou pra história Desse país sem memória E de uma estranha conduta
Dispois disso Jucelino Um mineirim come quieto Com promessas de futuro E caminhões de concreto Contruiu lá no serrado Um projeto desenhado Por seus dois grande arquiteto
Em cinco anos cinquenta Dizia assim seu discurso Se o futuro tinha mel Os brasileiro era um urso Mas o povo fica imóvel No acidente de automóvel A história muda seu curso
E os coitado dos calango Que trabalharô demais Imaginarô Brasilia Como terra de iguais Só que sobrô quem diria Pros pobre a periferia Como as senzala ancestrais
E o paízim de promessas A duras penas caminha E Jânio Quadros varreu C’a popular vassorinha A mutreta pro seu lado Mais seu plano deu errado E o galo fugiu da rinha
Fosse Jânio ou fosse Jango qualqué outra criatura O povo sempre aceitô Inté com certa candura Mas sentiu dor de verdade Ao perder a virgindade quando entrou a ditadura
O castelo era branco Mas a coisa ficou preta Pois exercito queria Reorganizá essa treta E usando sua linha dura Remendo-se uma costura Contra foice e a marreta
Com crescimento econômico Mais a copa de setenta A massa aplaudia o circo E o pão que não se alimenta Foi nessa fase obscura Que debaixo de tortura Nosso estado se sustenta
Mas tudo na vida passa Pois a todo nó se afroxa Nossa dita ficou mole E o sistema ficou broxa E duma forma indireta O ditador sai da reta Dos partido que lhe encoxa
Figueiredo presidente Doido pra se aposentá Faz cara de comovido Pro povo a se organizá E foi na praça da Sé Que viu-se de quatro pé As direta indiretá
Não teve choro nem vela E Tranquedo só podia Se tornar o mandatário Por mando da oligarquia E o povo mesmo sem sorte Ouviu o anuncio da morte Do pai da democracia
Então Sarney o bigodudo Mandante do Maranhão Viu caido no seu colo O futuro da nação O povo virô fiscal Mas o país no final Entrou mesmo em recessão
E como um flime de ação Um jovem num Jetesquí Dizendo ter saco roxo Pra governá isso aqui Vence a primeira eleição Mas tão rápida ascensão Só pôde dá pirirí
De Color não se sabia Pouca coisa ou quase nada Só que veio lá de alagoas Feito assim conto de fada Com Pecê não fez Faria Logo o povo entenderia Que o herói fugiu de Lada
E o tal sujeito impedido Disse olhando de fianco: _ Pra não sair desse jogo Vou ser reserva no banco! E o processo assim caminha E as chaves desse fusquinha Vai pro vice Itamar Franco
O mineiro tupetudo Mulherengo sem igual Nomeia Fernando Henrique Como ministro leal E visando as eleição Fernadinho acerta a mão E Implanta o plano real
Fernando tem oito anos Graças a reeleição Passa o tempo viajando Curtindo sua posição Vendendo pros estrangeiro Uma fortuna em dinheiro Pela privatização
E o eleitorado cansado Exigindo uma mudança Olhou direito pra esquerda Fazendo nova aliança E o hôme de nove dedo Que tanto se tinha medo Virô a nova esperança
Lula é nome do barbudo Que a Fernando sucedeu Viu sua princesa estrupada Por Valério e Zé Dirceu Mas bondoso é esse povo Elegeu Lula de novo Mais uma chance lhe deu
E assim nos dia de hoje Temo uma justiça cega Que se faz de surda muda Quando vê que o bicho pega Fazendo então vista grossa Pressa terra que foi nossa E aos gringo aos pouco se entrega
Dispois de tanta roubada Nóis o povo é quem responde Pois nossos olhos não veem Tudo que o poder esconde Sem memo rir ou chorar Ficamos nóis a tomar No olho ce sabe donde