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Esse cordel o cordelista Tarcio Costa brinca com um feriado que aparentemente não tem graça nenhuma, mas que a poesia de cordel consegue transformar em mais uma divertida história que viverá para sempre no berço da literatura de cordel. Quero falá duma coisa Que me deixa angustiado Que acontece todo ano No calendário datado Um dia que é dedicado Aos morto, denominado Santo dia de finado Mas me diga por favor Que cerimônia é aquela! Todo mundo carregando Melancia flor e vela Pra ganhá algum trocado Se vende doce e salgado Bem na frente da capela Sei que das veiz o comércio Descorda com veemênça Envocando argumento Fundado na exelênça Dogma religioso Frutos esse precioso Da sagrada providênça Eu não brinco com o assunto Pois sou homem de critério Mas quem diz gostá de tumba Num deve de falá sério Pois inté mêmo Jesus Que por nóis morreu na cruz Arribô do cemitério Por falar em cemitério Etá lugá engraçado Se o cabra não vale nada Basta lá ser enterrado Que mêmo sendo suspeito Logo ganha o respeito E santo é considerado Exemplo são os político Esse são os campeão Acho que inté os honesto São corrupto e ladrão Mais dispois que bate as bota Fica todos os idiota Digno de compaixão Seja no mundo dos vivo Assim tumém é o dos morto Gente viva indecente Muito difunto pau torto Gente doce feito mel Alma que merece o céu Navios num mêmo porto Finado me lembra enterro Donde alguns vão pra chorá Mas quem não conhece o morto Vai mêmo é pra conversa Tem beudo que desembesta Transforma tristeza em festa Pondo-se a rir e a cantar Tem quem gosta de passá Noite e dia no velório Com as velha ladainha Sem mudar o repertório Nem o pobre do coveiro Gosta mais que os fofoqueiro Desse nobre território Quem faz corte pra caixão É viúva a toda prova Mas tem sempre escandalosa Fazendo uma cena nova O resto fica fumando Lá fora, se perguntando Que hora o dito vai pra cova Não que eu seja um anarquista Muito menos conformado Num tô protejendo a igreja Nem do diabo advogado Se levanto essa questão É a minha opinião Na vida se tem dois lado Se morrer tumém faz parte Deve de ter sua beleza Num vejo porque encará Com tanta dor e tristeza Pra cada recém nascido Tem sempre um recém morrido Eis a lei da natureza Não quero levá daqui Nada que me causô mágua E quando Deus me chamá Vou, e meto o pé na tábua Tanto faz se sô lembrado Com rico Jorge Amado Ou só Quincas Berro D’água Vamos então venerá Os nossos antepassado Mas sem esquecer jamais Os vivos do nosso lado Vou propor pra todo mundo Um dia para os defunto E o resto pros avivado
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