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Um politico dos diabos

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Aqui o cordelista Tárcio Costa mais uma vez brinca com a velha e viciada política brasileira, utilizando a literatura de cordel para denunciar de forma bem humorada as maracutaias do poder. Mais uma bela poesia de cordel

 

 

Doutô Lorivá Pedroso

Em dia de expediente

De posse de sua cadeira

De prefeito eminente

Passa o tempo em roubalheira

E empregando seus parentes

 

É do tipo de político

Típico da região

Que transforma a prefeitura

Em reduto de ladrão

E não há dinheiro que vença

Tamanha corrupção

 

Foi no mês de fevereiro

Tumém ano de eleição

Que recebeu uma visita

Digna de assombração

Apareceu-lhe o capeta

Sem qualqué nunciação

 

Mas o feito cunticido

Só vem memo revelá

A que ponto no podê

Pode um cidadão chegá

Isso visto na resposta

Que o prefeito ao bicho dá:

 

_diga que ousadia é essa

Oh grosseria do cacete

Entrando assim dessa forma

Dentro do meu gabinete

Inda mais assim ligeiro

Liso feito um sabonete!

 

Respondendo ao mandatário

O diabo feiz-se entende:

Ouça-me agora meu filho

Pois não adianta corrê

Se o céu não quer tua alma

Ela a mim vem pertencê!

 

 

O doutô assim responde:

Etá que eu já vi de tudo

Meu pai sempre foi careca

E tu cabra é cabeludo

E minha mãe não era vaca

Pra tê marido chifrudo!

 

O cramunhão se enerva

Grunhindo e arranhando o chão

Mas logo muda a atitude

Acalmando a situação

Dizendo de jeito nobre:

_Fora força de expressão!

 

Dando inicio a um discurso

O mestre de todo o mal

Tenta mostra suas força

Sobre a fraqueza carnal:

_Quem desafia o demônio

Tem um destino fatal!

 

O político esperô

O coisa ruim acabá

Pra dispois de modo esnobe

Ao distinto retruca:

_Caro senhor dos inferno

Alto lá, mais devagá!

 

_Vejo que o nobre colega

Anda meio desinformado

A ditadura acabô

Se tu quer me ver caçado

Vai tê que entrá com ação

Na camara ou no senado…

 

Mas digo, vai perde tempo

Tamo em ano de eleição

Já foi tudo resolvido

Pra liviá situação

Acabou-se tudo em pizza

por causo de um acordão!

 

Pois outra vez o tinhoso

Manifestou dando um grito:

_Valha-me toda desgraça

Envoco os seres malditos

Pra levarem tu safado

Pra escuridão do infinito!

 

_De mardito eu bem entendo

São gente muito ordinária

Se vai pedi o apoio deles

Fala em sifra monetária

Pois é tudo corno infié

A bandeira partidária

 

O pai das terra entrevada

Firma uma interrogação:

_Estarias tu insinuando

Que meus servos em questão

Por dinheiro deixariam

De jurar-me obrigação?

 

_Olha, inda te digo mais

Se queres ganhá Respeito

Muda logo esse discurso

Fazendo a coisa direito

Ingualzinho os evangélico

Ultimamente tem feito!

 

_O que? Grita o beuzebu:

_Eu exijo sem clemência

Revelai-me essa estratégia

Da bendita concorrência!

E o exelentísimo diz

Já sem muita paciência:

 

O dinheiro de campanha

Juntam tudo direitinho

Justifica como dízimo

Viajando num jatinho

E póia como candidato

O ex governadô Garotinho!

 

Diz o diabo encabreirado:

_Não, o Garotinho não

O marido da Rosinha

Amante da oposição?

Mas isso é o fim do mundo

Que diabo de mundo cão!

 

Político muito astuto

Lorivá lhe respondeu:

És memo uma besta fera

Inda não se apercebeu

Tu andas mais sem moral

Que o ex ministro Zé Dirceu!

 

O pobre anjo excomungado

Berrava em alto e bom tom:

Eu exijo meus direitos

Se não valer meu jetom

Boto a boca no trombone

Como fez o Jefersóm!

 

_Eis aí o teu problema

Tá ficando demodê

Tem que investí na imagê

E aparece na tevê

Fala com o Duda Mendonça

Que ele sabe o que fazê!

 

_Será, bem eu não sei não!

Disse o tinhoso abestado:

_Investir em propaganda

Há de gerar resultado?

Isso vai custar dinheiro

E meu bolso tá furado!

 

_Isso é que é incopetença

Que diabo que tu é

Isso é o que dá tanto tempo

Dependendo só da fé

Titubiá desse jeito

É coisinha de mulé!

 

O diabo caiu sentado

C’as palavra de Pedroso

E limitou-se a ouvi

Comendo as unha nervoso

Os conselho do prefeito

Experiente e a audacioso:

 

_Eu não sei como funciona

Nas terra do teu reinado

Mas aqui capeta e anjo

Tão tudo do memo lado

E promessa de campanha

É tudo papo furado

 

Pra fazê parte da corja

Negue tudo em absoluto

Pegue a parte que lhe cabe

Nesse esquema prostituto

Donde deus se faz careca

De nome Valérioduto…

 

Toda amizade é bem vinda

Todo valor importante

Em terra de gavião

Não há pinto que se levante

Prova disso é o companheiro

Severino Cavalcante…

 

Terra de cego quem vê

Inda tem vista embassada

Como diz Boris Casoi

Tudo acaba em marmelada

Faça como o presidente

Que nunca sabe de nada…

 

Se tu diz ser o diabo

Eu finjo que acredito

Teu voto é tão valioso

Quanto o de São Benedito

E o que eu tinha pra dizê

Afirmo já tenho dito!

 

Ouvindo aquele relato

Lucifer disisperô

Se sentindo abandonado

Diante de tanto terrô

A aos pranto gritou bem alto:

_ Valei-me nosso Senhor!!

 
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