Matei a cobra e escondi o pau ( Cordel Matuto) |
|
|
|
 Quem diz que já viu de tudo Ta por demais enganado Inda mais quem é da roça E de tudo fica afastado Tenho guardado pra mim Que vivi um causo assim Que me deixou assustado
Foi bem dispois da labuta Na venda do Libanês Talagando uma cachaça Quando vi, lá se foi três Vendo a garrafa meiada Liviei a pobre coitada Bebendo tudo de vez
Fiquei de cabaça cheia De arrepiá c’as molera Pra que o chão num fosse embora Convidei uma cadeira Desbundei em riba dela Encostei numa janela Pra espera passá a zonzeira
Contô e ninguém acredita Pois sentô na minha mesa Uma dama tão cheirosa Quanto dona de beleza E de um jeito suspiroso Disse: _Êta cabra gostoso Vô te cura da moleza!
Viche que inté arrepiô Os cabelo do subaco Era muita encomenda Pro tamanho do meu saco Melhorei a compostura Disfarçando com lisura O meu bafo de macaco
Jogamos conversa fora Inté que em dado momento A moça então comportada Permitiu-se um atrevimento Mexendo com os dedo do pé Pois-se a fazê cafuné No meu dotado instrumento
Valei-me meu santo padre Cabou-se a malemolença Tava pronto a lhe mostra Toda minha competença Foi quando um frio na cacunda Deu uma tristeza profunda Na cabeça que não pensa
Se de bêudo não tem dono Segui minha intuição Todo santo desconfia Do valor da doação Deu-se que mesmo zuado Pude fazê observado O baita gomo de adão
E mesmo na cagibrina Concluí num foi difícil Que a figura embonecada Era chegada no vício De se vesti de muié E pros cabra cheio de mé Presentiava seu orifício
Mas se toda acusação Pede prova de valia Pude ver seu circo armando Bem no meio da furquía Miséria pouca é besteira Eu desembaiei a pexeira E fui pra riba da vadia
Gritei: - Sai bicho do cão Ninguém brinca assim comigo! Mandei a faca de lado Passando rente ao imbigo Defendi minha ombridade Navalhando a identidade Da amiguinha que era amigo
Pensei ter feito desgraça Fiquei todo arrependido Jamais que faria o feito Se num tivesse bebido Foi quando o home frozinha Me disse com a voz fininha Radiante e agradecido
Que não guardava rancor Pois tava mesmo é aliviado Juntô as mão entre as perna Correndo desembestado Com medo que algum doutô Pensando fazê favô Lhe botasse remendado
Sei que deus escreve certo Em riba de linha torta Mas não gosto de ver-dura Nem espalhada na horta Ouça bem o meu relato Só vim acalmá de fato Quando vi a cobra morta
|