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O (A)testado ( Cordel matuto) |
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Todo mundo tem um nome Registrado em certidão Paulo Cesar de Albuquerque, Alcebíades Padrão, Dona Lucia Costa Pinto Mulher de Doutô Jacinto Meirellles de Assumpção
Mas Possuí esse direito É coisa de gente nobre Sobrenome tem seu preço Da-se jeito gente pobre Vira Chico de Paulina Malaquía de Enerstina De valia nem um cobre
Se o cabra cavalga em jegue Jegue no nome é somado Somando o nome da mãe Mais fácil é identificado Pra identificá sua vila Vira Jão “Jegue” da Tila De Monte Alto do serrado
E o mesmo acima citado Foi feitor de acontecido Quanto o terceiro rebento Feito cabrinha crescido Disse Jão Jegue risonho: - Careço registra Tônho Mode não ganhá apelido!
Desaprovando a atitude A mulher disse: - Bobage De carroça inté a cidade É quais um dia de viage Dispois pra labuta o chão Não vejo tê precisão Nome aqui num tem vantage! Mais memo contrariada A mulher fez regalia Retirando do borná Parte das econômia Disse: - homem dos diabo Co’esse gasto déste cabo De trabalho sete dia!
Chegando Jão mais criança No cartório da cidade Disse logo ao tabelião: - Por favor tenha a bondade Reconheça meu menino Me mostrando donde assino Pra criá legalidade!
O moço registrador Cabeça chata exibido Por todos no vilarejo Se fazia conhecido Por não perder a piada Resultando as chacotada Inté em amigo perdido
O cartorário indisposto Diante da situação Respondeu com casca e tudo Pro espanto do cidadão: - Nesse estabelicimento Registro de nascimento Tá custando um dinheirão!
O pai não deixa barato: - Pois comigo ninguém pode Fui crescido na farinha Mixto a buchada de bode Macho da cabeça aos péis Tome dez conto de réis Mais um fío do meu bigode!
Olhando aquela pelega Sem mostrá nenhum apresso Dando um jeito na gravata Sentindo os córnio do avesso Diz o homem de reveistréis: - Esse seus conto de réis Não vai dá nem pro começo!
- Valei-me minha santíssima Tu não pode dizer isso Espalhado na bancada Tem semanas de serviço Tô me sentindo lezado! Disse o matuto enervado Començando o reboliço
O sujeito prepotente Com cara de pouco amigo Não se fez ameaçado Nem deu bola pro perigo Inda respondendo assim: - Matuto olhe bem pra mim Preste atenção no que digo:
- Para seu conhecimento Hoje como no passado Patrão vira coronel Pelo direito comprado Desde a corte de Dom Jão Padeiro vira barão Por favor negociado!
O matuto rebateia: - Ah santa mãe de Jesus Tô pagando meus pecado Eu joguei pedra na cruz Ande cabra zombeteiro De um nome a meu herdeiro De direito faço jus!
Ironiza o carimbeiro: - Diga lá herda o quê Co' a mão na frente outra a trás Tu deixa algo a recebê Avalie essa questão Tens em posse a certidão
Casório, cique e erregê?
- Certidão tida eu num tenho... Capricha o peão na peleja: - Mais tenho inté testemunha Do meu casório na igreja Tá meio ceguinha a coitada Mais é honesta que é danada A Zefinha do Zé breja!
Pois responde o escriturário: - Testemunha aqui não basta Careço isso copiado Arquivado numa pasta E pra mode lhe ser franco Inda tem taxas do banco Que o dito processo arrasta!
Enquanto o tempo passava O tabelião maldoso Percebeu que o sertanejo Ganhava tiques nervoso Mancava feito perneta Cortocendo umas careta Repuchando seu pescoço
Miséria pouca é bobage Vista muita diversão Acrecentava o atendente Boa dose de invenção: - Olhe, tente se acalmá Não quero lhe apavorá Com tal documentação!
E continua o rapaz: - Preciso dos documento Carteira de motorista E a licença do jumento Passe na delegacia Que o delegado avalia Se o ipeveá é insento…
Disse ainda o tal safado: Prova de vacinação Da criança e do cachorro E também tem precisão A carteira de trabalho Um cedê do Zé Ramalho Três foto do Gonzagão!
Já todo torto o coitado O caboco reagiu: - É por demais desafôro Donde é que já se viu Faz meu filho registrado Ou mando tu estrupiado Pra dona que lhe pariu!
Mais por nada nesse mundo Tendo ali ao seu alcance O piadeiro debochado Perderia aquela chance Disse ao pobre chateado: - Pois tu fique aliviado Arreda a faca e se amance!
- Eu já tenho a solução! Esbraveja o tal o sujeito: - É sabido nessa vida Que só morte não tem jeito Não podendo registrá Carece nóis encontrá Algo que possa sê feito…
Disse embolsando o dinheiro: - Pois a lei aqui se presta Dez contos não se registra Porém dez contos se atesta! E com carimbo na mão Deitou o pirralho no chão E o sujeito fez a festa
Antes do cantá do galo O pai todo realizado Gritava pela mulher Deixando os bicho assustado: - Mazéia corre pra vê Pois nosso filho a de sê O primeiro c'o atestado!
Avistando seu moleque Por incrível que pareça A mãe desabou pra trás Pois não há de haver quem mereça Ver seu filho apresentá colorida a letra "A" Carimbada na cabeça.
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