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Pinga no peito

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Tomei dois dedos de pinga

Puxei o litro prum canto

Livrei o gole do santo

E meti fumo na binga

Troquei as pernas na ginga

Molhei com menta e conhaque

A palavra e o sotaque

No balança mais não cai

Um Uísque do Paraguai

Fez arrebatar o baque

 

Depois do rabo de galo

E do garrafão de vinho

Eu fui pra casa sozinho

Tratei de pegar embalo

Trotando feito cavalo

Meio que cambaleando

O dia foi clareando

Passei no bar da esquina

Chutei outra cagibrina

Continuei caminhando

 

Quando cheguei no barraco

Fui armando confusão

Meti o pé no portão

Tirei o lixo do saco

Pisei dentro de um buraco

Dei de cara na janela

Desci o pau na cadela

Que latia do meu lado

Entrei na casa enervado

Pela porta sem tramela

 

Fui até a geladeira

Tomei vodka no bico

Derramei leite molico

Joguei pra cima a cadeira

Rumei de qualquer maneira

Pro quarto do corredor

Entrei e fui fazendo amor

Peguei a minha senhora

Sabe Deus por quantas hora

Ficamos nesse calor

 

roncava feito um leão

Quando eu dei de levantar

Foi um pega pra capar

Quase sem explicação

Minha falta de noção

Nem pai Ciço meu padrinho

Que não me deixa sozinho

pode então me explicar

como é que eu fui acordar

Na casa do meu vizinho?

 

Que grande constrangimento

Por causa da bebedeira

Eu toquei fazer besteira

E fiquei sem argumento

E o meu ressentimento

É que mulher do sujeito

Ta me faltando o respeito

Me liga de madrugada

Me pedindo a danada

Que eu meta pinga no peito

 
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