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Esse cordel foi feito por telefone entre o poeta Paulo Roberto Monteiro (Poeta do Mato) e o cordelista Tárcio Costa depois de um encontro regado a muita carne e cerveja na chácara Treze. E da-lhe literatura de cordel! Poeta Do Mato- De novo bom companheiro Um desafio é lançado Com um fim determinado Carece o verso primeiro Ser rima do derradeiro Também quero que adote Pra fecharmos esse lote Trinta estrofes bem contadas Com dez versos e rimadas Não regidas por um mote Tárcio Costa- Eu não vou fazer fricote E respondo com clareza Soam meus versos na mesa Feito estalo de chicote Não é farsa nem é trote Proponho por em questão Pra que achemos solução Acrescentando sabor No que difere o amor Da fogueira da paixão Poeta do mato- Buscar elucidação Estudando o verbo amar Carece muito pensar Sei que o amor é doação Que sublima a razão Paixão é obsessiva Dominante e possessiva Inconstante e feroz Ás vezes se torna algoz Poderosa e destrutiva Tárcio Costa- Tenho como alternativa Reforçar os versos seus Digo que amor é de Deus Emoção que se cultiva Pra manter a chama viva Num planeta moribundo E que paixão lá no fundo É tentação do capeta Que estoura feito espoleta E gira a roda do mundo Poeta do mato- Um mergulho profundo E fica estabelecida A base de uma vida De um útero fecundo Todo humano é oriundo Pela lei do criador Com paixão ou com amor De seres apaixonados Fatalmente interligados Tendo-se com muito ardor Tárcio Costa- Mas veja só meu mentor É tudo muito confuso Mais que a porca e o parafuso Há na cabeça um motor Onde podemos supor Criam-se as emoções Como dizia Camões Fogo que arde sem se ver Se amor é cego e há de ser Mal vistas são as paixões Poeta do Mato- Eu me rendo às citações Feitas com sabedoria À serviço da poesia Mas vamos às alusões Às nossas proposições Amor é calmo e sublime Com o tempo nos redime E a quem joga uma partida Com a paixão atrevida Que é dona do maior time Tárcio Costa- Sentimento não se oprime É da natureza humana Se apaixona o pé de cana A mulher que faz regime Amar também não é crime Em documento previsto Mas em tudo a de ser visto A significação E quem não conhece então A triste paixão de Cristo? Poeta do Mato- Mas vejam o que assisto Lá nas telas da memória Revendo uma velha história Mas duvidoso insisto É verdade tudo isto? Sei que o verdadeiro amor Dá a vida mais sabor Mas paixão é a ferramenta Que ao mundo movimenta Tal o sol com seu calor Tárcio Costa A paixão não tem pudor O amor não tem limite E meu amigo acredite Ambos têm muito valor Pois paixão não é rancor Mas designo de sorte Que alimenta e dá suporte E ajuda na manobra De quem ama e faz a obra Que vive depois da morte Poeta do Mato Nem mesmo um drástico corte Vai embaçar a direção Do amor e da paixão Dupla majestosa e forte Mostrando um certeiro norte Que mantém direcionado Um momento inusitado No qual todo ser humano Adentra um sublime plano Que o destino tem traçado Tárcio Costa Debandando pro outro lado A ciência mãe de tudo Que é Fruto de muito estudo Deixa tudo explicado Seja Amando ou apaixonado Vira tudo um pandemônio Quando jorra o tal de hormônio Pelo cérebro enviado E o cabra fica danado Quando sente o feromônio Poeta do Mato- Tal qual o antimônio Vai dar liga aos metais No reino dos minerais Há sempre um matrimônio Que mantém um patrimônio Com as leis da criação E também da evolução Tendo assim a natureza Preserva sua realeza Na força de uma atração Tárcio Costa- Amor é imaginação Reflexo de imagens ternas Que nos tempo das cavernas Ou dos filhos de Adão Rompeu com a escuridão De uma mente silvestre Parindo a arte rupestre Que de forma imprecisa Pré-destina Monalisa A paixão de um grande mestre Poeta do mato- E por mais que se palestre Que um homem racional Está só num pedestal Voltemos La no campestre Em todo globo terrestre Foque a polinização Com dois reinos em ação Flores cores e odores Abelhas e os beija flores Não são casos de paixão? Tárcio Costa- Nos passos da evolução O macaco ergueu-se em homem E o homem vira lobisomem Nos causos de aberração Onde o amor e a paixão Viram também verso e prosa Folclore é coisa gostosa Tem até virgem encantada Que se entrega apaixonada Por um boto cor de rosa Poeta do Mato- Veja como é esplendorosa Quando se torna um farol Se a beija o galante sol Apaixonada ela posa Exibindo-se charmosa E cheia de amor flutua A nossa querida lua Tornando apaixonado Todos os enamorados Que a invejam cá da rua Tárcio Costa- Pois cada qual tem a sua Dita tampa de panela Paixão quando se revela Nossa raça perpetua Na verdade nua e crua Do ato da copulação Onde fica o amor então? Amor é incondicional Só mãe sente amor igual Na hora da parição Poeta do mato- O amor rege a imensidão Onde um astro é gerado Mantendo-se interligado Numa grande comunhão Por leis da gravitação Cabe só ao criador Esse feito de valor? Ou uma fêmea parideira Fez-se sua companheira Com paixão e com amor? Tárcio Costa Foi o cristo redentor Concebido de maneira Que a virgem mãe por inteira Manteve todo o pudor Com José não fez amor Mantendo-se imaculada Eis aqui uma cilada Acredite quem quiser Não seria Deus mulher Por si mesma enamorada? Poeta do mato- Parte da história é explicada Pela maneira proscrita Que todo o hermafrodita Forma bissexuada Fecundado ou fecundada Sem desfrutar de carinhos Fêmeas e machos sozinhos Por si mesmos atraídos São mulheres e maridos Gerando seus filhotinhos Tárcio Costa- Bons ventos tocam moinhos E água mole em pedra dura Molha, espirra até que fura Construindo seus caminhos Pra que não fiquem sozinhos Cobra com cobra se assanha Se da fruta gosta a aranha Os sentidos comem quentes E se tem briga nas mentes A razão é quem apanha Poeta do mato- Sexo desperta a sanha Do lado mais instintivo Que vence o cognitivo Com sua força tamanha Não admitindo manha Pois se não o bicho pega Na recusa de uma entrega E bau bau toda ilusão Do amor e da paixão Que somem numa esfrega Tárcio Costa- Paixão a gente não nega É permuta é barganha É quentura é coisa estranha Força que não se renega Mesmo sendo meio brega Já o amor é mais leal Tipo amigos coisa e tal Que pra firmar na amizade Juntos comem sem piedade Na vida um saco de sal Poeta do mato- Em tudo é fundamental Prezar a sinceridade Ou nada tem validade Doar-se é o essencial Para não tornar banal Qual seja o sentimento Que o encerre no momento Viver sim requer paixão Tendo o amor em comunhão Com a sina e o pensamento Tárcio Costa- Onde está o regulamento Carta, livro ou promissória Que comprove a divisória De tão doce sentimento Paixão coisa de momento? É mesmo só pra inglês ver Paixão e amor devem ser Como o ar e o suspiro Como a espingarda e o tiro Que um ao outro tem que ter Poeta do mato- Mas veja o alvorecer É o começo ou o fim do dia? Vamos á filosofia? Carece de um morrer Para outro florescer O amor gera a criação Mas precisa a excitação Tal e qual a pororoca Esta que o mar provoca Com uma penetração Tárcio Costa- Não há mesmo solução E será sempre um dilema Discutir o nobre tema Chegando a uma conclusão Que encerre a discussão Pois paixão é jogo aberto E o amor também de certo Será sempre inspiração Pra cada nova canção De Erasmo e de Roberto Poeta do mato- O cosmo traz encoberto O plano da providência Mesmo para a inteligência Que busca o caminho certo Nesse universo inserto Já nos disse Shakespeare Sobre o que hoje era porvir Há um céu que tudo encerra A paixão o amor e a terra E a vã mente a definir Tárcio Costa- Os meus versos a seguir Não propõem ponto final Mas sim lição de moral Dessas pra se refletir Pois temos que admitir Que este cordel criativo Mostra o lado positivo Pois seja amor ou paixão Não pode sentir se não O ser que se mantém vivo
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