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(Cordel inspirado na obra de uma aluna do curso de letras da UFPE) Meu amigo Carlos Fava E meu padrinho Paulão Professores respeitados Na cidade e região Enviaram-me um presente Em forma de redação Que cuja autora em questão É aluna da faculdade Federal de Pernambuco Que usando a criatividade Vencera um concurso interno Ganhando notoriedade Tudo que escrevo é verdade E por ter lido e gostado Revelo seu conteúdo Nesse poema inspirado Nas linhas do mesmo texto Outrora por mim citado: No elevador lado a lado Já pela terceira vez Pela força do destino Aquele encontro se fez Artigo e substantivo Num clima de timidez Como peças de xadrez Fixas no tabuleiro Ambos só se observavam Como o lobo e o cordeiro Pouco antes do inevitável Confronto esse derradeiro Manifestou-se primeiro Num delicado sinal O velho substantivo De aspecto plural Por ser ele masculino Coagia seu rival Que fingia ser normal (Sendo artigo definido Feminino e singular) Num gesto todo contido Retribuir ao agradado Que lhe fora proferido Um império dos sentidos De um lado ela, carente Silábica um pouco átona Ele bem mais experiente Estilo sujeito oculto Sem regra que lhe oriente A coisa fica mais quente Ele ganha uma vantagem Demonstra suas intenções Com seus vícios de linguagem E com filmes ortográficos Propõe-lhe uma sacanagem Miséria pouca é bobagem Foi-se embora as aparências Criou-se um pequeno índice Dispensando as reticências Artigo e substantivo Desprezaram as conseqüências Nem mesmo ocultas ciências Ou uma razão aparente Pôde explicar o motivo Do elevador de repente Quebrar deixando-os sozinhos Frente ao pecado eminente Com um sorriso indecente Substantivo pensou: _Eis aqui uma boa chance! E uma ação insinuou E no artigo alguns sinônimos Dessa forma provocou Pouco tempo se passou E tudo volta ao normal O elevador funcionando Pra cima leva o casal Dela ele quer o grande Predicado nominal Coincidência ou coisa e tal No andar do substantivo Pára o velho elevador Fator esse positivo Entraram no seu aposto Pro ato definitivo Um vinho de aperitivo Mais um CD do Magal Ele faz uso de toda Sua flexão verbal Com hiato gelo e soda Ela já estava legal Pra levantar o moral Palavras insinuantes Sentados num vocativo Agora assim como antes Os dois trocam caricias E dizeres provocantes Em desafios constantes Entre silencio e gemidos Uma fonética clássica Dançam os dois pretendidos Mais uma sintaxe dupla E os medos foram rompidos Os sintomas percebidos Foi ele usando seu forte Adjunto adverbial Revelando seu suporte Os vocábulos diziam Que era seu dia de sorte Um caso de vida ou morte Não cabia ser discreto Pois tudo levava a crer Num transitivo direto Findaram-se as fantasias Tornando-se fato concreto Ele foi direto e reto Pediu insistentemente Pra que ela então sentisse O seu ditongo crescente Dela o seu vocabulário Observava contente Mas eis que então de repente Na pequena pontuação Ela revela ser vírgula Vejam que situação Mas diante dessa ênclise Ele propõe a solução . Sem perder a condução O ritmo da embalada Ele sugere a donzela Uma outra soletrada Caprichada em seu apóstrofo E a crise é solucionada Ela não negava nada Há tudo se permitia Totalmente oxítona Assim ela se sentia Para o comum de dois gêneros O tal casal prosseguia Ela assim quem diria Totalmente voz passiva Entregue a beijos, parônimos Dele que era voz ativa Uns minutos nessa próclise Numa pose criativa Ela se sentia viva Do começo até a ponta Chegando cada vez mais O sujeito assim aponta Predicativo objeto Lento vai tomando conta Ela estava quase pronta Os dois a se aproximar Primeira e também segunda Pessoa do singular Pronome paroxítono Ele iria lhe mostrar Assim ela pôde olhar Dele o grande travessão Que forçava aquele hífen Do composto palavrão Mas eis que a porta se abriu Mudando a situação Percebendo a pontuação Eis que o verbo auxiliar Daquele grande edifício Quis também participar Conjunções e adjetivos Começou a declamar E os dois sem acreditar No que estava acontecendo Ambos gramaticamente Lentos foram se encolhendo Cheios de preposições A ânsia foram perdendo Mas o verbo ali prevendo Locuções e exclamativas E ao ver o corpo da jovem Quis propor alternativas Assim a dupla em questão Tornaram-se dele cativas E sem mais prorrogativas O verbo vendo a mocinha Numa acentuação tônica Num grande sofá de oncinha No particípio da história Quis escrever sua linha E essa dupla pobrezinha Não encontrou outro remédio Com medo que uma metáfora Espalhasse pelo prédio Aceitaram sem ressalvas O inescrupuloso assédio Quem arrisca foge ao tédio E o tal verbo entusiasmado Colocando seu adjunto Adnominal de lado Mostrou ser superlativo Absoluto e arribado O artigo ficou parado Substantivo sem jeito Ao ver a coisa maiúscula Objeto de respeito O dito predicativo Acompanhando o sujeito Coração pula no peito Quando o verbo e seu tritongo Mostra ter mais conteúdo Que o outro com seu ditongo A palavra era grosseira E seu enredo mais longo Feito um gorila do Congo O verbo partiu pra cima Pra não perderem viagem Todos entraram no clima Uma mesóclise-a-trois Mais em abaixo e mais acima Entre pancadas e mimas Um complemento verbal No artigo feminino Mais um ditongo nasal Penetrou-se no gerúndio Do substantivo e tal Que pôs um ponto final Vendo que ele poderia Transformar-se num artigo Indeferido, pois havia Sentido no infinitivo Coisa que nunca sentia Partiu pra pancadaria Pegou o verbo auxiliar Pelo seu conectivo E começou a gritar Jogou-o pela janela Viu o pobre se arrebentar Sentiu saudades do lar Voltando para o seu trema Fiel a língua portuguesa Esqueceu-se desse esquema Seguindo firme adiante Sem munir culpa ou dilema Resolvido esse problema A outra parte envolvida Dito artigo feminino Um dia muito querida Ficou pra sempre na sua Conjunção coordenativa.
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