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O Forfe e a Forfe ( cordel matuto)

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O Forfe e a forfe 

 

Dois forfe assim conversava
De drento de uma caixinha
O forfe era enervado
A forfe bem mais calminha
O forfe se lamentava:
_Que diabo de vida é a minha! 
.
A forfe lhe apaziguava:
_Viver em tudo é um jogo
Bom e ruim é o destino
Pra nóis as veis memo fogo
Mas vai se tocando o barco
Levando a vida em refogo! 
.
O forfe não dava ouvido
Da forfe seus bons conseio
Mais forte era sua reiva
Diante do aperreio
A forfe preocupada
Mais uma vez interveio:
.
_Forfe que muito se esquenta
Logo que perde a cabeça
Tumém palito padece
Disso você não se esqueça
O pouco com Deus é muito
Por incrível que pareça! 
.
_ Vivendo aqui exprimido
Nessa caixeta apertada
Sendo comido na brasa
Quando a cabeça é lixada!
Foi essa a dura resposta
Do forfe de alma inflamada 
.
  _C’a descoberta da chama
O homem recebeu calor
Inté memo sua comida
Veio a ganhar mais sabor
Cada qual tem sua missão
Cumpra a sua com amor! 
.
Foi suas últimas palavra
Da caixa a forfe é tirada
E viu-se no seu semblante
A coragem estampada
Viu o Forfe sua parceira
Toda em luz ser transformada 
.
O forfe todo medrado
Mediante a situação
Usando de toda força
Salta em qualquer direção
Caindo drento do lixo
Perdido na escuridão 
.
Com toda sua energia
Velas a forfe ascendeu
De vela em vela em mão
Uma procissão se deu
Foi dito uma das mais bela
Feita a São Judas Tadeu
.
Livrar-se do seu destino
O forfe tanto queria
E agora que estava livre
A verdade entenderia
Viver sem ter um porque
De nada lhe valería 
.
Vivamos a vida sem medo
Por mais duro que se pense
Não haverá bem que perdure
Nem males que não se vence
O presente é um presente
E o futuro a Deus pertence.
  

 

 
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