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Computador Nas Costas

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Esse mundo de informática
Trouxe muita solução
Melhorando em alguns casos
Nossa comunicação
Mas quem pertence a antiga
Cria por mais que se diga
Conflito de geração
 .
E essa minha afirmação
Aconteceu de verdade
Quando a filha de um sujeito
De grande propriedade
Pediu ao pai receber
Aquele que havera ser
Dono de sua castidade
 .
E a moça de pouca idade
Ouve atenta o pai dizer
Que se mal fosse o sujeito
Não iria se conter
E a mâe com o terço na mão
Reza pra na ocasião
Que Deus venha interceder
 .
E pra mode  responder
Disse a filha ao pai aflito:
_ Quero me casar com ele
É o que eu quero e tenho dito
Esse é Roberto Monteiro
Moço do Rio de Janeiro
Meu carioca bonito
 .
_Mas será o Benedito!
Disse o pai conservador
Quando viu entrar na sala
Perfumado feito flor
O candidato a marido
Que de cabelo comprido
Mais parecia um cantor
 .
E pra aumentar o terror
Do pobre pai coronel
O rapaz que usava brinco
Dez dedos cheios de anel
Se aproximou dando um grito:
_ Qualé a boa papito
Isso é legal pra dedéu!
 .
O pai olhando pro céu
Disse: _Oh meu Deus tu me paga
Se tô pagando meus dízimos
Qual é o motivo da praga?
E quanto a tu filha ingrata
Ande logo e me relata
Donde encontraste essa chaga!
 .
A mocinha corre e afaga
O pobre velho nervoso
E com jeito desembucha
No ouvido do ansioso
Com voz aguda e perene:
_ Foi no M S N
Que eu conheci o gostoso!
 .
O pai responde impiedoso
Indagando o pretendido:
_ Cabra nunca ouvi falar
Dessa sigla de partido
Não gosto de M S T
PSDB nem PT
Pra mim é tudo bandido!
 .
E o moço agora inibido
Findou a pose de bacana
Tentando limpar sua imagem
De criatura leviana
Pra mostrar conhecimento
Diz:_ Meu senhor um momento
Foi atráves de um programa!
 .
Pois o coronel se inflama
Por fazer mal entendida
A explicação que o sujeito
Lhe fizera oferecida
Diz:_ Programa faz tua mãe
Cabra froxo não se acanhe
De dizê que ela é da vida!
 .
_ PAI!! Grita a filha ofendida:
_ Peço, por favor, se atente
Meu noivo é homem estudado
Diplomado e inteligente
Só quis dizer ao senhor
Que foi no computador
Esses encontros da gente!
 .
E o pobre pai descontente
Fica ainda olhando feio
E o rapaz pretencioso
Tenta ganhar um norteio
Disse:_ Podes crê coroa
O romance foi na boa
O barato foi no “e-mail”
 .
Saltando firme de esgueio
O coronel cabra macho
Gruda o jovem na garganta
Partindo pro esculacho:
_ Assim tu me desanima
Foste do e-meio pra cima
Ou ousaste í meio pra baixo!
 .
O esganado disse:_ Acho
Sua violencia sem nexo
Conversar pela “internet”
Não deixa ninguém perplexo
Nosso amor é virtual
E só sei que ela é a tal
Pelas fotos em anexo!
 .
_ Tu tá procurando sexo
Aqui num vai encontrá não
O padre já me falô
Que essa maquina é do cão
Bem que minha mulher fala
Que cum ela o trem se cala!
Rebate o pai valentão
 .
Foi o carioca então
Vendo a ignorancia bruta
Esclarecer pra tal mãe
Da maquina a má conduta:
_ Senhora preste atenção
“Drive” não tem dicção
Ele não fala computa!
 .
E a verdade absoluta
Só fez mesmo complicar
Pois a infeliz da senhora
Saiu correndo a chorar
E forte o velho berrou:
_ Do que foi que tu chamou
A patroa desse lar?
 .
O rapaz a gaguejar
Disse:_ Por favor, me escute
Não quis ofender ninguém
Nem to atrás de desfrute
Pois tenho apresso por ela
Juro sua filha é donzela
Só adicionei no “Orkut”!
 .
Cabreiro feito um mamute
O velho grita:_ Devasso
Do que adianta me dizer
Que minha filha é cabaço
E esperar me ver contente
Sendo que de trás pra frente
O buraco foi pro espaço!
 .
E levantando seus braços
Grunhindo feito animal
O velho espanta o cabrinha
Dito por ele imoral
E enquando o jovem corria
O pai armou pontaria
Carcando um tiro de sal
 .
E dessa história a moral
È que o casal que se gosta
No namoro da antiga
Pode acha melhor resposta
Pra não fugir humilhado
Com o lombo todo salgado
E com puta dor nas costa
 
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