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O Micuim

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O site do cordelista Tárcio Costa conta agora com o espaço da literatura de cordel infantil. Aqui você encontra as mais belas histórias criadas pelo artista, assim como temas voltados a educação e cultura dos baixinhos. O poeta possibilita ainda aos pais e professores a encomenda de cordeis personalizados, ou seja, com temas pré-definidos. Nesse caso basta entrar em contato pelo
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O Micuim

 

A pequena criatura

Tinha mãe e tinha pai...

(Assim começa essa história

Uma história que se vai

Pra onde vai toda história

Que da imaginação sai)

 

Seus pais puderam felizes

Vê-la aprender a andar

Mas sendo eles adultos

Não podiam imaginar

Que sua pequena cria

Podia também falar

 

 Não a fala assim falada

Que ouvimos quando lê

Um professor em voz alta

A cartilha do á-bê-cê

Mas é voz de pensamento

Ou seja voz de bebê

 

Os pequenos são assim

Quando um pensa outro entende

E por serem pequeninos

 Adulto não compreende

Que em conversa de pequeno

O som não se faz presente

 

É linguagem universal

Mas isso não vem ao caso

E essa aventura começa

Diante de um prato raso

Onde linda descansava

Uma flor dentro de um vaso

 

Uma flor bem diminuta

Com pétalas amarelas

Com seu caule inclinado

Na direção das janelas

Como se sugasse a luz

Vinda de cada uma delas

 

Foi a primeira visão

Desse nosso personagem

Desde que ele começou

A sua incrível viagem

Partindo do meu quintal

Chegando a velha garagem

 

E com voz de pensamento

Fez-se a comunicação

E o tal ser tão pequenino

Pergunta à plantinha então

Quem era a bela miragem

Que lhe roubava a visão

 

E a florzinha encantada

Entortou-se feito um anzol

E olhando pra baixo disse:

_Já no brilho do arrebol

Sigo o sol que é a luz do céu

O meu nome é Girassol!

 

E o nosso pequeno herói

Maravilhado sorriu

Pois era a primeira coisa

Mais bonita que ele viu

E depois de admirá-la

Por um bom tempo... Partiu

 

Entre folhas e pedrinhas

Seguiu rumo à porteira

Onde pôde descansar

À sombra da goiabeira

Que pobre só era galhos

Desfolhada quase inteira

 

E foi bem num desses galhos

Que ele teve uma surpresa

Pois um ser misterioso

Também dono de beleza

Escondia-se na árvore

Camuflado com destreza

 

E o bichinho curioso

Duas vezes não pensou

Decidiu juntar coragem

E de uma vez perguntou:

_Quem é você criatura

E porque me assustou?

 

E o outro também filhote

No alto da árvore nua

Sussurrou em pensamento:

_Boa pergunta essa sua

Uns me chamam Urutau

Mas sou também Mãe-da-Lua

 

E o nosso pequeno herói

Maravilhado sorriu

Pois era a segunda coisa

Mais bonita que ele viu

E depois de admirá-la

Por um bom tempo... Partiu

 

Dessa vez por rente a cerca

Feita de arame farpado

Pregado em velhos mourões

De madeira lado a lado

Tal qual um ser incansável

Seguiu firme e empolgado

 

Foi quando o vento lhe trouxe

Com mãos de uma brisa leve

Um cantar de som melódico

Vezes longo vezes breve

E descobrir de onde vinha

O bichinho então se atreve

 

Embrenhou-se no capim

Atravessou o galinheiro

Mergulhou na poça d’água

Saindo aos pés do chiqueiro

Onde um ser feliz cantava

Banhando-se num lateiro

 

Grande emoção era aquela

Ver outro ser pequenino

Que no ar se equilibrava

Sob a luz do sol a pino

Brilhando assim feito ouro

Soprando um cantar divino

 

O pequeno viajante

Atreveu-se a interromper

Do outro a bela cantoria

Pra que pudesse saber

O que ou quem era aquele

Que alegrava o seu viver

 

E o ser voante e ligeiro

O seu cantar logo encerra

Nas bordas da velha lata

Pé ante pé ele emperra

Dizendo em voz de silêncio

_Sou uma Canário da Terra!

 

E o nosso pequeno herói

Maravilhado sorriu

Pois era a terceira coisa

Mais bonita que ele viu

E depois de admirá-la

Por um bom tempo... Partiu

 

Seguiu de volta pra casa

E contou tudo pra mim

Sobre a terra, lua e sol

Sobre esse universo enfim

Onde é lindo se viver

Mesmo sendo um Micuim

 

Um carrapatinho Estrela

Que não sei se é ele ou ela

Que há pouco veio morar

No osso da minha canela

E enquanto coço a coitada

Vislumbro o céu da janela

 

E assim termina essa história

De universos coisa e tal

Nas histórias e universos

É coisa mesmo normal

O começo ir de encontro

A um simples ponto final.

 

 

 
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