Home arrow Poesia de Cordel arrow O Frango

O Frango

PDF Imprimir E-mail

Foi tudo tão de repente

Quase sem explicação

Quem acredita em destino

Preste muita atenção

Isso não é letra de tango

É só o drama desse frango

Que é quem faz a narração

 

Sou um franguinho de granja

Que só buscava a verdade

A luz fora da caverna

Onde mora a liberdade

Trilhar um caminho novo

Que desde que eu era um ovo

Sempre foi minha vontade

 

Pois ouvi tantas histórias

Sobre a grande imensidão

Onde livres galináceos

 Jamais comiam ração

Deixavam as galinhas chocas

Caçavam suas minhocas

Ciscando as unhas no chão

 

Mas sempre que eu perguntava

Se existia esse lugar

Os mais velhos me diziam

Pra não mais cacarejar

Pois quem foi pro outro lado

Ou foi recapturado

Ou não voltou pra contar

 

Mas eu estava decido

Nada iria me impedir

Pois quem nutre a esperança

Nunca há de desistir

E meu plano foi certeiro

E do velho cativeiro

Todos me viram fugir

 

Não podia imaginar

O que fora me esperava

Na beira de uma estrada

Acordado eu sonhava

Com meu feito inusitado

Quando fui aprisionado

Por um ser que ali passava

Eu não tive reação

Bicho homem é muito forte

Estava preso de novo

Isso é que é falta de sorte

Pela cara do sujeito

Eu pensei não tem mais jeito

Vou me preparar pra morte

 

Mas no meio da jornada

Tive a nítida impressão

Que o bicho homem barbudo

Mudou sua intenção

E ao longo do caminho

Alguns gestos de carinho

Demonstravam emoção

 

Mas apostar meu futuro

Já não era mais preciso

Quando o homem chega em casa

Refiz então meu juízo

Ele era o porteiro

Do mais belo galinheiro

Meu sonhado paraíso

 

Era como nas histórias

E eu havia encontrado

Tinha pinto galo e ovo

Galinhas por todo lado

Árvores, frutos e flores

Penas de todas as cores

O meu reino encantado

 

Porém aqui descobri

A minha realidade

Pois do velho cativeiro

Agora sinto saudade

Do que valeu conseguir

Se não posso dividir

Com minha comunidade?

 

Se correr o bicho pega

Se ficar o bicho come

Pra valer o meu direito

Vou fazer greve de fome

E antes que eu vire uma canja

Fujo e volto a minha granja

 

Ou frango não é o meu nome

 
< Anterior   Próximo >

Powered by NIBA