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Entre Deus e o Diabo

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Foi assim que começou

Na visão desse poeta

Essa infinita peleja

Que de maneira indiscreta

Impede que a humanidade

Siga a vida em linha reta

 

Vistos sozinhos na terra

Sem perdão e sem aviso

Os homens passam a fazer

Tudo aquilo que é preciso

Para viver cá nesse mundo

Um pouco do paraíso

 

Mas a culpa é coisa triste

Segue o homem atormentado

Desfrutando a tentação

Mas com medo do pecado

Caindo assim de joelhos

Mas sem grande resultado

 

Então em nome de Deus

Faz-se tudo nessa vida

Realizam-se certas coisas

Que até mesmo Deus duvida

É um tal de Deus lhe pague

Quando a coisa está perdida!

 

Por preço da onipotência

Deus é sobrecarregado

Mesmo sendo onipresente

Não da conta do recado

E o céu vira aquele inferno

Com preces por todo lado

 

E o “Cão” que não morre nunca

Reaparece na história

Movido pela crendice

Carregada na memória

De um povo escravo da fé

Buscando dias de glória

 

Surge então a concorrência

Muitas vezes desleal

O cão no setor privado

Deus mandando na estatal

Cada qual fazendo uso

Da influência universal

 

Do reino de Deus se sabe

Muito pouco ou quase nada

São ministérios fechados

Muita coisa arquivada

E a burocracia azeda

Até hóstia consagrada

 

Já a corporação do inferno

Usando de propaganda

Faz de tudo um carnaval

Onde o pecado é quem manda

Tendo como seu slogan:

“Pão e circo e a vida anda”

 

E nem Deus nem o diabo

Abre mão dessa mamata

A de ter em larga escala

A mão de obra barata

Resultante de almas simples

Que acreditam em bravata

 

Fez-se assim um sanduíche

Na mente da humanidade

Jogou-se o povo na chapa

Racharam sem piedade

E em toda cabeça oca

Dosaram na quantidade

 

Umas rodelas De Deus

Uns pedaços de diabo

E o homem ganha dois sabores

Doce e amargo igual quiabo

Transparente tem aureola

Embutido tem o rabo

 

Caminhando em passos firmes

Um adiante e dois de ré

A humanidade freqüenta

A igreja e o cabaré

Tendo como mola mestra

A força fruto da fé

 

Cada um com seus “pobrema”

E o povo se dividiu

Caras cores, credo e raças

Cada nação decidiu

Que Deus estava convosco

E um Deus agora era mil

 

Visionário o diabo aposta

Noutra linha de atuação

Ao projeto dar-se o nome

Teoria da evolução

E em meio à selva de pedra

Macaco é rei de leão

 

Se correr o bicho pega

Se ficar o bicho come

Ser primata explicaria

As bananas que ele come

Mas se o homem a Deus renega

O pecado lhe consome

 

E o homem ser imperfeito

Através da oração

Tenta conseguir de Deus

Do pecado a redenção

Sabendo que do diabo

Pecar já tem permissão

 

E Deus ouve em silêncio

E com certo desapego

Abre as portas da igreja

Vê sem perder o sossego

Um guarda roupa repleto

De cabides de emprego

 

Muito santo do pau oco

Ensaboando seu bagre

Com prazer avaliando

Dando preço no milagre

Enquanto o vinho sagrado

Aos poucos vira vinagre

 

Se o fim justifica os meios

Deus então paga para ver

E que vá para o inferno

Quem não quiser entender

Pois mais vale uma alma presa

Que duas sem depender

 

 O Diabo não acredita

Em tamanha hipocrisia

Como pode o céu agora

Cometer a heresia

De esconder os seus pecados

Nos quartos da sacristia?

 

Se o céu parece o inferno

Lobo em pele de cordeiro

Como pode a humanidade

Distinguir o verdadeiro

E honrar os mandamentos

Principalmente o primeiro?

 

 Segue assim a humanidade

Procurando algo que valha

Pois sabe que muito ajuda

Aquele que não atrapalha

Seguindo o dedo de Deus

Do diabo o fio da navalha

 

Passa o tempo feito sonho

Foi-se embora a castidade

E a mulher entra no jogo

Contestando a santidade

Exigindo a mãe de Deus

Na santíssima trindade

 

E a santa compadecida

Ganha status no poder

Tornando-se advogada

Pode assim interceder

E gozar de privilégios

Que o posto há de oferecer

 

Agora homem e mulher

Exercem o seu direito

De orar a Deus na igreja

Pedir perdão pelo feito

De lascar fogo na cama

Tendo o diabo no leito

 

Todos em nome do pai

Esperam a volta do filho

Que terá como missão

Repetir o estribilho

Colocando a humanidade

Ajoelhada no milho

 

Todo começo de era

Espera-se o fim dos dias

Onde a velha babilônia

Findará suas orgias

Enquanto isso o diabo lança

Novas tecnologias

 

O diabo é o pai do rock

Deus do canto gregoriano

O Diabo investe em ações

Deus reforça o Vaticano

É um pau de amansar louco

No lombo de cada ano

 

Um boicote atrás do outro

Em séculos de disputa

Maldita hora em que Adão

Comeu a porra da fruta

Sofrem os seus descendentes

Por serem filhos da puta

 

Mesmo tendo livre arbítrio

O homem pede a escravidão

Misturam Deus e política

Em busca de salvação

Mas nem mil velas clareiam

Cem anos de escuridão

 

E Buscando outras saídas

O homem continua infausto

Vende a alma pro diabo

Tal qual na ode de Fausto

E sempre alguém quer ser Deus

Ferindo o mundo em holocausto

 

Respostas não caem do céu

E a vida é um Deus nos acuda

Nem trevo de quatro folhas

Nem sal grosso nem arruda

Aberta as portas do inferno

Descer todo santo ajuda

 

Seja do auto ou debaixo

Som de harpa ou de corrente

A verdade é que liberta

Com a certeza eminente

De que a morte essa nunca

Guardou ninguém pra semente

 

 E o bonde da história

Rumo ao juízo final

Visita toda estação

Seja do bem ou do mal

Guardada dentro do homem

E sua cabeça animal

 
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