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Cem Mais Sem Menos

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Vou falar da matemática

Que cerca a palavra cem

Cinquenta soma cinquenta

Está quantia se tem

Vinte e cinco vezes quatro

Da o mesmo valor também

 

A tal multiplicação

E a cruzeta de somar

Faz com quem possui dinheiro

Mais dinheiro se ganhar

Mas nas continhas dos pobres

Sem menos cem sem será 

 

Pode parecer estranho

Mas explico pra você

pois sem de pobre é com S

E o cem do rico é com C

E o sinal menos faz

tudinho se esclarecer

 

Sinal de diminuir

Arma verdadeira guerra

Com dinheiro dos caboclos

Que no banco se enterra

 Perde a casa e roçado

Ganha nome de sem terra

 

Já o ricaço endinheirado

Com notas de cem na mão

Compra as propriedades

Quase de graça em leilão

Somando e multiplicando

E seu cem vira milhão

 

Lá vai o pobre de novo

Na briga pra ser correto

Mas há falta de emprego

Para os semianalfabetos

O atraso na prestação

Faz dele agora um sem teto

 

Uma nota em riba doutra

Segue o rico pra comprar

Baratinho, Baratinho

A casinha popular

E o cem outrora somado

Volta a se multiplicar

 

Mas o pobre não desiste

Diante da encruzilhada

Prestando qualquer serviço

Nessa vida amargurada

Virando escravo da lida

Um sem carteira assinada

 

Mas e mais igual a mais

Menos e menos também

Novamente a matemática

Serve pra quem muito tem

Negando as leis trabalhistas

Sobra ao rico mais vintém

 

Sem me estender no assunto

Da realidade medonha

O pobre está sempre sem

E o cem só vê quando sonha

Mas mesmo desamparado

Não se torna um sem vergonha

 

E diferente do rico

Que vive na solidão

O pobre que nada tem

Tem sempre ao lado um irmão

Que acena em riba da mesa

Com sinal de divisão

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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