O Matuto e o Corpo Humano

O Matuto e ocorpo humano foi uma grande brincadeira do poeta Tárcio Costa, um cordel onde o próprio escritor da voz e personalidade ao personagem, um matuto que poderia ou não ser reaa, assim como o próprio cordelista. Coisas de literatura de cordel!

 

 

O matuto e o corpo humano

 

Pra falar do corpo humano

Baseado na ciência

Cabe mesmo ao indivíduo

Dotado de inteligência

Exige muita pesquisa

Sem dúvida se precisa

Dedicação e paciência

 

Porém não há o que proíba

A vasta imaginação

De transformar em história

Esse assunto em questão

Peço a um matuto da roça

Fazer pra mim uma troça

Sobre minha afirmação

 

Agora esse poeta

Movido pela paixão

Brincando de Deus agora

Dá vida a sua criação

Como fizeste também

Um tal doutor frankstein

Em um livro de expressão:

 

_Fico muito gradicido

Ao bom e nobre escrevedô

Por vir pedi a opinião

D’eu que não sou de valô

Intônce lhe digo assim

Vô do começo pro fim

Cá permissão do senhô…

 

Índo de baixo pra riba

Fica os pé cheím dos dedo

Os quar nóis carça butina

Loguinho de manhã cedo

E memo têno friera

Sobe desce ribancera

Os danado num tem medo…

 

Acho bão tumém lembrá

Pois tem precisão de fato

Os par de osso da canela

Carece tê seu relato

Quando nóis cruza a paióça

As bichinha logo coça

Flôrida de carrapato…

 

Mas acho que suas função

Deve de sê sigurá

As duas bola do jueio

Que serve pra se agachá

Dobrano as perna no meio

E vortano sem receio

Causo quisé levantá…

 

As coxa tumém a bunda

Em nóis home é tudo iguá

Diferente das mulé

Que tem pra embelezá

E pros dois sem distinção

Essas duas musculação

Serve pra corre e sentá…

 

Agora vô sê tinhoso

Pra falar com atenção

Pois gosto do cheiro dela

Do dele num gosto não

Dela quem gosta é nóis macho

Já dele é mulé e diacho

De cabra que vira a mão…

 

Por respeito das criança

Eu vô usá de fantasia

Dizeno nas entrelinha

Dos verso da poesia

Quando vê a perereca

Sarta o pinto da cueca

Atrás de fazê folia…

 

Do buraco lá de trás

Num carece nóis falá

Cada qual cuide do seu

Digo sem pestanejá

Sei que tem home frôzinha

Que usa o coiso de coisinha

O meu só serve pra obrá…

 

Separa o peito das perna

Vai levando o que se come

Falano nóis de barriga

Disperta ligêro a fome

Fica colada nas costa

Aquela que a gente prosta

Quando a labuta consome…

 

Cô zóio se vê a beleza

E se chora de sardade

Da boca vem o sorriso

E tumém a farcidade

Quem tem nariz inxerido

Sempre ganha um pé d’ouvido

Por farta de ombridade…

 

Arrematano essa  prosa

Cubra tudo com cabelo

Uns cumprido e outros curto

Espaiano mais alguns pelo

Se fio de barba tirado

Faz do cabra respeitado

Cuida dos bicho com zelo…

 

Como funciona por drento

Me farta cunhecimento

Só sei que nos intestino

Os verme faz um tormento

Sei tumém do coração

Que bate com emoção

Por causa dos sentimento…

 

Eu intônce me despeço

Pros doutô bateno palma

Pra sê sabedô das coisa

Tem que tê mais tempo e calma

Brigado meu bão poeta

A tarefa tá compreta

Deus proteja tua alma!

 

Volta então a criatura

Pra mente do criador

Pois sou do mundo real

Não fictício orador

Porém penso indignado

Não serei eu o resultado

De outro louco pensador?